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ÚLTIMAS NOTÍCIAS | Ano 12 | Edição 039


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"A política é quase tão excitante quanto a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes.” (Winston Churchill)

Projeto de filho de Bolsonaro quer transformar medicamento em mercadoria

Medicamento ou mercadoria? Se depender do Projeto de Lei 3589/2019, de autoria do senador Flávio Bolsonaro, os MIPS - medicamentos isentos de prescrição se transformarão em simples objetos de consumo. O parlamentar apresentou a proposta no último dia 18 de junho para a Comissão de Assuntos Sociais do Senado, que altera a Lei 5.991/73, permitindo a dispensação de MIPs em todos os estabelecimentos comerciais. Como justificativa, o senador diz que a assistência farmacêutica no Brasil permanece como um problema de difícil solução. Dada a maior prevalência das doenças crônico-degenerativas, é crescente a necessidade de uso de medicamentos pela população, com consequente aumento dos gastos. Dessa forma, ainda segundo o PL, seria preciso adotar medidas para conter a elevação dos gastos e ampliar o acesso aos medicamentos. O parlamentar ainda justifica sua decisão com base em conversa no fim de 2018 com o presidente da ABRAS - Associação Brasileira de Supermercados, Márcio Milan. Segundo o dirigente, no período em que esses estabelecimentos comercializaram MIPs, em 1995, houve uma drástica redução nos preços, com destaque para analgésicos e antitérmicos, cuja queda chegou a 35%.


Projeto terminativo gera repúdio - O projeto de lei proposto por Flávio Bolsonaro é terminativo, o que significa que, se aprovado pela comissão, pode não ir a Plenário e ser enviado diretamente à Câmara dos Deputados, encaminhado à sanção, promulgado ou arquivado. Ele somente será votado pelo Plenário do Senado se um recurso com esse objetivo, assinado por pelo menos nove senadores, for apresentado ao presidente da Casa.

A medida gerou repúdio por parte das entidades e empresas ligadas ao setor. Confira as notas exclusivas enviadas ao Panorama Farmacêutico:


Sergio Mena Barreto – CEO da Abrafarma

“Os argumentos daqueles que defendem a venda de medicamentos isentos de prescrição em outros estabelecimentos não se sustentam. Em primeiro lugar, não temos problemas de acesso a farmácias no Brasil, pois temos mais de 78 mil estabelecimentos em operação, cobrindo praticamente 100% do território nacional. Em segundo lugar, isso não barateia o produto. Se assim o fosse, supermercados venderiam produtos de higiene e beleza com preço abaixo das farmácias. Por que não o fazem? Em terceiro lugar, MIPs não se destinam a resolver problemas de saúde complexos e precisam, sim, de suporte do profissional, caso o usuário necessite – o que, por sinal, acontece em 80% das vezes.


O Brasil não precisa dar passos atrás na área da saúde - Nosso país necessita de mais prevenção, adesão ao tratamento e mais educação do usuário para evitar acidentes. Isso tudo pode ser provido num único estabelecimento – a farmácia – e com um único profissional – o farmacêutico. Se alguém quer verdadeiramente defender a saúde, deveria promover uma grande discussão nacional para a redução da carga tributária de quase 36% dos medicamentos. Isso colocaria o Brasil em linha com as principais nações do mundo e seria uma demonstração inequívoca de que a saúde do brasileiro é, sim, prioridade nacional”


Marcos Machado – presidente do CRF-SP

“De tempos em tempos, os empresários do setor atacadista encontram uma maneira de um político apresentar essa proposta. No ano passado, havia projeto semelhante proposto por um deputado, que foi arquivado. Mas, agora, renasce trazida pelo filho do presidente. É preciso analisar essa proposta sob dois pontos de vista.


1 – Do ponto de vista sanitário e do risco à população: o Projeto de Lei prevê comercializar medicamentos em qualquer estabelecimento comercial. Isso é uma irresponsabilidade e um descaso com a saúde. Medicamentos não são produtos inertes e sem importância. Eles precisam de cuidados na armazenagem, com temperatura, local adequado e orientação de uso. Por isso, existem resoluções sanitárias que regulam o funcionamento das farmácias e a venda de medicamentos. Ao disponibilizar a venda em qualquer estabelecimento comercial, o senador coloca a população em risco. A presença de um profissional farmacêutico é fundamental para orientação dos pacientes e para que os mesmos façam o uso correto dos medicamentos, evitando uso inadequado.


2 – Do ponto de vista das farmácias: o senador utiliza como justificativa de seu projeto, a diminuição do preço dos medicamentos. Não há nenhuma pesquisa, nenhum dado que mostre que os remédios diminuirão de preço sendo comercializados em “qualquer estabelecimento comercial”. Como ele pode saber isso? Em quais dados ele se baseia? Não há dados.


Concorrência desonesta - Porém, importante dizer que a venda de medicamentos isentos de prescrição compõe boa parte do faturamento das farmácias de pequeno e médio porte e a venda em estabelecimentos comerciais é uma forma desonesta de concorrência. As farmácias são estabelecimentos de saúde que seguem regulamentações. Quem irá fiscalizar a venda? Como será garantida a qualidade dos medicamentos sem fiscalização e sem a responsabilidade do farmacêutico? Esse projeto não traz benefícios a ninguém”.


Luciano Guedes, diretor comercial da Drogaria Minas-Brasil

O projeto pode até ter boas intenções quando se trata de baratear o custo dos medicamentos e ampliar o acesso à população. “Mas, se observarmos o custo operacional de uma drogaria, as exigências sanitárias e o excesso de regulamentações, isso é que faz encarecer o preço”, ressalta. Se o governo adotasse medidas de flexibilização, como a liberação do atendimento farmacêutico virtual, os preços poderiam cair, sem necessidade de venda em outros tipos de estabelecimentos, uma vez que no Brasil há uma farmácia em cada esquina. “Isso poderia fazer baixar o custo não somente dos MIPs, mas de todas as outras categorias de medicamentos”, finaliza.


Sanofi e Google em inovação virtual em saúde

A Sanofi e o Google fecharam uma parceria para desenvolver um novo laboratório de inovação virtual. O objetivo é transformar radicalmente a maneira como os futuros medicamentos e serviços de saúde serão entregues, explorando o poder emergente da tecnologia. “O acordo consiste na combinação entre as inovações biológicas e dados científicos da Sanofi com recursos avançados do Google, da computação em nuvem à inteligência artificial de ponta. Dessa forma, poderemos garantir aos usuários mais controle sobre sua saúde e acelerar a descoberta de novas terapias”, destaca Ameet Nathwani, diretor digital, diretor médico e vice-presidente executivo da farmacêutica Sanofi.


A parceria - Após uma análise profunda dos dados, será possível ter uma interpretação mais precisa sobre as doenças e o perfil dos pacientes. Essa avaliação permitirá desenvolver abordagens clínicas mais personalizadas e identificar tecnologias complementares para melhorar os resultados de saúde. Outra vantagem seria a redução de custos com internações desnecessárias, medicamentos sem efeito ou que desestimulam a adesão ao tratamento. A parceria também prevê a aplicação de soluções de inteligência artificial para nortear o processo de vendas e incrementar os esforços da cadeia de suprimentos e de marketing. Além disso, a Sanofi modernizará sua infraestrutura migrando alguns aplicativos de negócios já existentes para o GCP - Google Cloud Platform. “A inovação digital orientada por dados é uma demanda premente dos players dos segmentos ligados às ciências da vida. Ela será determinante para aprimorar a experiência dos pacientes e criar soluções de saúde realmente acessíveis à boa parte da população”, ressaltou Thomas Kurian, CEO do Google Cloud.

(Panorama Farmacêutico)


Quem perde e quem ganha na guerra comercial de Trump com a China

Empresas dos Estados Unidos de todos os ramos, de chips de computadores a tratores, têm dito que as guerras tarifárias do presidente norte-americano, Donald Trump, incluindo disputas com a China e tarifas globais sobre aço, tiveram um impacto sobre elas. Até mesmo para alguns dos esperados favorecidos, como siderúrgicas, os benefícios das tarifas do presidente não estão inteiramente claros. Trump disse em 5 de maio que ele elevaria tarifas sobre 200 bilhões de dólares em produtos chineses a 25%, ante 10%, intensificando a pressão para que o governo chinês concorde com um acordo.


TECNOLOGIA


· Apple - A Apple cortou sua previsão de vendas para o primeiro trimestre, culpando as lentas vendas de iPhone na China, onde a incerteza em torno das relações comerciais EUA-China abalaram a economia. Depois que a Apple reduziu preços no fim do mês passado, as vendas ganharam ritmo e a Apple citou um tom melhor na guerra comercial para uma perspectiva mais forte.


· Intel Corp - A fabricante de chip no mês passado cortou sua projeção de receita para 2019, citando uma desaceleração na demanda da China.

AUTOMOTIVA


· Fiat Chrysler - A montadora projetou que preços mais elevados de commodities, puxados por tarifas, custarão 750 milhões de euros ao ano.


· General Motors - A empresa previu 1 bilhão de dólares em custos adicionais neste ano em função de tarifas e matéria-prima. Os preços de aço e alumínio diminuíram, mas os preços de outras commodities, como paládio, subiram, disse a companhia.


· Ford Motor - A montadora disse que em 2018 incorreu em “reveses” de cerca de 750 milhões de dólares em efeitos relacionados a tarifas. Volume menor de vendas e custos elevados de commodities, incluindo efeitos ligados a tarifas, adicionaram 500 milhões de dólares aos custos do primeiro trimestre, na comparação com o ano anterior.


· Harley-Davidson - A fabricante de motocicletas disse que custos relacionados a tarifas na União Europeia e China foram de 23,7 milhões de dólares em 2018 e devem ficar entre 100 milhões e 120 milhões de dólares em 2019.


EQUIPAMENTOS PESADOS

· Caterpillar - A Caterpillar disse que as tarifas custarão à companhia entre 250 milhões e 350 milhões de dólares em 2019 caso não haja nenhum alívio.


· Deere - A fabricante disse em fevereiro que espera que tarifas dos EUA sobre importações chinesas custem à companhia 100 milhões de dólares em 2019.


AGRICULTURA


· ADM - Archer Daniels Midland - O lucro operacional ajustado da trading de commodities caiu 30% no quarto trimestre a 183 milhões de dólares, uma vez que a guerra comercial com a China abalou seus negócios de sorgo e soja.


· Bunge - A companhia reportou uma perda de 125 milhões de dólares com marcação a mercado em agosto em posições em soja apostando que a guerra comercial com a China seria evitada. Os lucros da Bunge então despencaram no quarto trimestre, uma vez que uma trégua temporária com a China levou os preços da soja a caírem e cortou o valor de seu estoque de soja brasileira em 125 milhões de dólares.


· Cargill - A trading de commodities disse em março que as tensões comerciais entre EUA e China e outras interrupções na cadeia de produção continuavam a pesar sobre resultados em negociação e processamento de produtos agrícolas, a unidade principal de trading de grãos da companhia.


· JBS - A empresa brasileira, que é a maior processadora de carnes do mundo, conseguiu elevar as exportações de carne para a China à medida que as tensões entre EUA e China se intensificaram. A fatia de exportações da companhia ao país asiático subiu para mais de 24% no ano passado, ante menos de 21% em 2016 e 2017.


· LDC - Louis Dreyfus Company - A operadora global de commodities agrícolas disse que as oportunidades de negócio criadas pela disputa comercial EUA-China impulsionaram seu negócio de soja no ano passado. A companhia registrou volumes recordes de exportação de soja a partir do Brasil, elevando o lucro em 12%, ante o ano anterior.


SIDERURGIA

· Nucor - A maior fabricante de aço dos Estados Unidos registrou lucros recordes e embarcou um volume recorde de aço em 2018, beneficiando-se das tarifas. Mas no mês passado, a companhia projetou lucro para o primeiro trimestre abaixo das estimativas de Wall Street, citando menores preços médios de vendas de folhas de aço e um atraso nos embarques a clientes no setor de construção. As tarifas impostas pelo governo Trump sobre importações de aço, principalmente da China, aumentaram a produção doméstica, levando a uma queda nos preços de aço. (Agência de notícias REUTERS)


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